Certa noite de
primavera, há muitos anos, um cavalheiro judeu, já idoso, deu o seguinte
depoimento pessoal numa reunião de compatriotas hebreus: "Esta é a semana da
Páscoa entre vocês, meus irmãos judeus. Sentado aqui, fico pensando como a
celebrarão. Vocês terão que jogar fora todo o fermento que houver em casa,
comerão o Matzoth (pão sem fermento) e o cordeiro assado. Irão à sinagoga e
realizarão o ritual e orientação do Talmude. Porém, se esquecem, meus irmãos,
que têm tudo, menos o que Jeová exigiu acima de tudo. Ele não disse: 'Quando
Eu vir o fermento jogado fora.' ou “Quando eu vir vocês comerem o Cordeiro
ou o Matzoth, ou irem à sinagoga”. Sua Palavra diz: 'Quando eu vir o Sangue,
passarei sobre você.' Ah, meus irmãos, vocês não podem substituir o Sangue
por nada. Vocês têm que ter o Sangue, o Sangue, o Sangue”.
Ao reiterar esta
palavra com ênfase cada vez maior, seus olhos negros brilharam numa
advertência, e seus ouvintes judeus tremeram diante dele. "Sangue! É uma
palavra horrível, para quem reverencia os antigos oráculos, e ainda não tem
nenhum sacrifício. Onde quer que leia no Livro, o sangue estará lá; mas por
mais que o procure, nunca irá encontrá-lo no Judaísmo dos dias de hoje”.
Após um momento de pausa, o velho continuou: "Nasci na Palestina, há quase
setenta anos. Quando criança, ensinaram-me a ler a Lei, os Salmos e os
Profetas. Ia à sinagoga e aprendia tudo o que me ensinavam: que a nossa era
a única e verdadeira religião. Porém, à medida que ia ficando mais velho e
estudava a Lei com maior atenção, ficava impressionado com o lugar que o
sangue ocupava em todas as cerimônias lá mencionadas e igualmente surpreso
pela sua ausência absoluta no ritual no qual eu fui criado. Repetidas vezes
li Êxodos 12, Levíticos 16 e 17 e estes últimos capítulos, especialmente, me
fizeram estremecer, ao pensar no grande dia da Expiação, no local do grande
dia da Expiação e o lugar que o sangue ocupava na Expiação.
Dia e noite um
versículo ecoava em meus ouvidos: Porque a vida da carne está no sangue;
pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas
almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma. (Levítico 17:11)
Eu sabia que eu
havia quebrado a Lei. Precisava da expiação. Ano após ano, nesse dia, batia
no peito enquanto confessava minha necessidade, mas tinha que ser feita pelo
sangue e não havia Sangue! Na minha angústia, finalmente, abri meu coração a
um sábio e venerável rabi. Ele me disse que Deus estava irado com o Seu
povo, por isso o templo havia sido destruído e em seu lugar uma mesquita
muçulmana foi erguida. O único lugar nesta terra onde ousaríamos derramar o
sangue do sacrifício, de acordo com Deuteronômio 12 e Levítico 17, fora
profanado e nossa nação dispersa. Por isso não havia sangue. O próprio Deus
fechara o caminho para que a cerimônia solene do grande dia da expiação
fosse executada. Agora, temos que ir ao Talmude, descansar em suas
orientações, confiar na misericórdia de Deus e nos méritos de nossos pais.
Tentei ficar
satisfeito, mas não consegui. Algo parecia dizer que a Lei não fora alterada,
embora o nosso templo estivesse destruído. Nada,a não ser o sangue, podia
fazer expiação pela alma. Não nos atrevemos a derramar o sangue da expiação
em outro lugar, a não ser no que o Senhor escolhera. Então, ficamos sem
nenhuma expiação. Este pensamento me enchia de horror. Em minha angústia,
consultei muitos outros rabis. Só tinha uma pergunta a fazer: "Onde posso
encontrar o sangue da expiação?" Já estava com mais de trinta anos de idade,
quando saí da Palestina e vim para Constantinopla, com minha pergunta ainda
sem resposta na mente e minha alma cheia de tribulação, por causa dos meus
pecados. Certa noite, andando por uma das ruas estreitas da cidade, vi uma
placa anunciando uma reunião para judeus. A curiosidade me fez abrir a porta
e entrar. No momento que eu ia me sentar, ouvi um homem dizer: "O Sangue de
Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado." Foi assim que conheci
o Cristianismo, mas ouvi, sem respirar, enquanto o pregador falava que Deus
havia declarado que "Sem derramamento de sangue não há remissão", mas que
Ele dera Seu único Filho, o Cordeiro de Deus, para morrer, e todos aqueles
que confiassem em Seu sangue eram perdoados de todas as suas iniqüidades.
Este era o Messias de Isaías 53; era o Servo sofredor do Salmo 22. Ah, meus
irmãos, finalmente encontrara o Sangue da Expiação. Confiei nele e agora,
amo ler o Novo Testamento e ver como todas as sombras da lei se cumpriram em
Jesus! Seu sangue foi derramado pelos pecadores. Deus ficou satisfeito e
este é o único meio de salvação, quer para judeu, quer para o gentio.
LEITOR, VOCÊ JÁ
ENCONTROU O SANGUE DA EXPIAÇÃO? CONFIA NO CORDEIRO FERIDO DE DEUS? ESTÁ
ESCRITO NA PALAVRA DE DEUS: E aquele sangue vos será por sinal nas casas em
que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá
entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito. (Êxodo
12:13) Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado
sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue
que fará expiação pela alma. (Levítico 17:11) Mas, se andarmos na luz, como
ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus
Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.
(I João 1:7) Em
quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados. (Colossenses
1:14)